ago 08 2018

Curtir a Vida

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O que é curtir a vida? Será que você sabe o que isso significa e está fazendo da maneira certa? Ou ainda, será que existe uma maneira certa de curtir a vida?

Vamos refletir.

O que é curtir a vida?

A pergunta parece simples e a maioria das pessoas irá responder “aproveitar os bons momentos ao máximo”, mas será que isso abrange tudo e encerra o assunto?

É possível viver num estado de eterna curtição? É saudável isso? Pode-se negligenciar responsabilidades em prol de viver-se apenas no “oba-oba”?

Para você, o que é curtir a vida? Como você a curte? Quanto você a curte? O que é viver ao máximo?

Influenciações

Desde pequenos, e ao longo de toda a nossa vida, somos bombardeados com propagandas que nos incultem vários sugestionamentos e, se você não consumir determinados produtos, não poderá se sentir uma pessoa feliz e realizada, e terá deixado de aproveitar as coisas boas da vida.

Por exemplo, você não pode ter tido uma infância feliz se não teve aquele brinquedo que era desejado por todas as crianças.

Na adolescência e depois na vida adulta você também não foi feliz se não teve condições de comprar aquela calça de marca ou teve que se contentar em possuir um carro popular usado.

E você também fica de fora do círculo da felicidade se não fuma certa marca de cigarro ou toma determinada marca de cerveja rodeado de mulheres exuberantes.

Aliás, como pode ser feliz uma pessoa que não bebe álcool até “enfiar o pé na jaca”, não é mesmo?

Essas e muitas outras coisas mostram o quanto somos produtos do meio em que vivemos, e como “compramos” as ideias sem nem nos darmos conta de que somos facilmente manipulados, verdadeiras massas de manobra.

“Ah, mas você é careta! Quem não gosta de uma cervejinha? E eu bebo é pra ficar ruim mesmo. Se fosse para ficar são eu tomava remédio!”

Eu sei que você pode ter pensado isso, nobre amigo, mas releia essa fala novamente. Releia mais uma vez de modo pausado. Percebeu alguma coisa? O que está por trás dela?

O que estão te dizendo

Se você tem uma percepção apurada, notará que a mensagem aprendida ao longo dos anos foi de que não basta você beber, mas tem que beber até cair, até passar mal, até dar vexame, pois quanto mais se bebeu, mais se divertiu e, consequentemente, foi mais feliz.

Troque agora a cerveja por qualquer outra bebida, alimentos, drogas e até sexo. A doutrinação da mídia e da sociedade lhe ensinou que a verdadeira curtição está no exagero, na irresponsabilidade, na inconsequência.

Do contrário, se você bebeu pouco, não se empaturrou da comida que mais gosta, não aceitou “dar um tapa” num baseado ou recusou a transar porque não sentia atração por aquela garota, isso significa que você não aproveitou tudo o que podia, não curtiu o momento “como deveria”.

Não demora para que você seja rotulado como “careta”, “sem graça”, “bicha”, “covarde”, “fraco” e vários outros adjetivos pejorativos que te colocam numa posição inferior, à margem, deslocado dos grupos sociais.

Ora, e quem quer ficar de fora? Todos precisamos nos sentir aceitos, fazer parte de algum grupo, não é mesmo? E é aqui onde muita gente se rende para poder “ser feliz curtindo a vida e os amigos”.

Certa vez, ouvi de um conhecido que ele precisava comprar uma determinada marca de smartphone, sem ter condições para tal, porque era isso o que definia os círculos sociais onde ele morava, e ele, obviamente, queria fazer parte do grupo mais destacado socialmente.

Uma coisa dessas, para mim, é algo absurdo. No entanto, para outros, é a medida com que norteiam suas vidas, baseadas pura e simplesmente na aparência.

Extremos da curtição

Bem, aceitos e fazendo parte dos grupos de pessoas “maneiras”, uma boa parcela dessa gente vai viver a vida que esperam dela: baladas, bebedeiras, putarias, overdoses e tudo o mais que que tiverem direito.

“Mas cada um faz o que quer da própria vida” – você argumenta.

Correto, como também deveria arcar com as consequências, o que nem sempre ocorre, afinal, assumir consequências requer responsabilidade, e responsabilidade é exatamente o que a pessoa vem negligenciando para que possa curtir a vida ao máximo.

Mas, quais são as consequências de que falamos? Bem, nada melhor do que ilustrar com casos reais. Vamos, então, às histórias.

O homem que casou e continuou levando a vida de solteiro

Dá até para dizer que isto é um clássico: o cara que depois de casado continua a viver no bar como se não tivesse família. Para esse tipo de sujeito, a mulher é mero aparelho de cozinhar e de reproduzir, e até para descarregar a raiva quando for preciso.

A vida mesmo está lá fora, com os amigos do boteco, e se a mulher ousar ir buscá-lo no bar, o couro come em casa, isso se ela não apanhar na rua mesmo.

O dia-a-dia desse casal era de brigas, escândalos, violência de ambos os lados, mas, conforme ouvi desse cara, “A gente pode quebrar o pau que for durante o dia, mas à noite não falta (sexo)!”

Para resumir, hoje eles estão separados, ele sozinho e ela com outro homem, seus quatro filhos largados por aí com um deles refugiando-se ou também “curtindo a vida” no sexo e nas drogas, como queiram.

Culpa do pai? Também.

A garota baladeira

Nesta segunda história, temos uma garota de 19 anos que morava com o pai, divorciado, idoso e portador de Alzheimer.

Neste caso, ela nem pestanejava: havia oportunidade de sair com amigos para bares, baladas ou o que fosse, lá estava ela, deixando o pobre pai sozinho em casa com todos os riscos que uma pessoa que não tem mais consciência de si mesma possa correr.

Ainda que sentisse amor e ternura pelo pai e não o maltratasse com palavras e gestos bruscos, ela se sentia no direito de curtir sua juventude nem que para isso tivesse de colocar em risco a segurança do homem.

Isso até que funcionou por um bom tempo, até que um dia, quando ela estava a caminho da Oktober Fest, há quase 600 Km de sua cidade de origem, recebeu uma ligação de uma desconhecida avisando que seu pai havia saído de casa para comprar algo e bateu na casa dela totalmente desorientado. Por sorte, ele carregava consigo o telefone da filha.

Gerações de baladeiras

No terceiro caso, muito parecido com o primeiro, uma garota baladeira engravida, junta os trapos com o pai da criança, mas obviamente o relacionamento não dá certo porque ela “não nasceu para cuidar do lar e da família”.

Quem cuidou do bebê até a fase adulta foi a avó materna, pois a mãe, mesmo tendo passado da quarta década de vida, ainda continua curtindo a vida.

Essa criança, hoje adulta e também mãe de outra menina, além de seguir o “bom exemplo” da mãe, consegue fazer pior do que esta, envolvendo-se com gente ligada ao crime.

Alegando ser revoltada por desejar a presença e carinho da mãe quando criança, ao invés de fazê-lo agora por sua filha, que também espera isso dela, vai fazer exatamente aquilo o que sofreu com sua genitora!

O que será de sua bebê quando crescer? Será talvez mais uma vítima de outras vítimas?

Teríamos vários outros casos para contar, mas acredito que você tenha pego a essência do que queremos passar.

Algumas lições

Note que nas três histórias todas as personagens se sentiam no direito de gozar a vida plenamente, ainda que para isso negligenciassem aqueles pelos quais deveriam zelar. Nenhuma delas é capaz de romper com esse círculo negativo.

Infelizmente, pessoas que se acham cheias de direitos por vezes não se cobram na mesma medida pelos deveres que precisam cumprir, afinal, como podem ser felizes se têm obrigações a fazer, não é mesmo?

O problema está quando pessoas vulneráveis necessitam de seus cuidados e não são atendidas como deveriam.

Na ânsia de viverem eternamente a vida de Peter Pan ou da Cinderela, na eterna infância, pois a felicidade para eles é isso, dão de ombros para aqueles que diretamente dependem de seus cuidados, ou pior, de seu amor e atenção, já que nem apenas de pão e água vive o ser humano. O afeto, ainda que nos falte o básico, materialmente falando, supre nossa necessidade de calor humano.

É possível curtir a vida sendo uma pessoa responsável?

Por que não? – eu retruco. Como já dissemos, quem disse que para me sentir feliz e gozar do que a vida tem de bom eu preciso negligenciar aqueles que dependem de minha dedicação? A mídia, o círculo social?

Ser livre, bem resolvido e feliz por curtir os bons momentos independe de marcas de produtos, de futilidades ou de atitudes vazias que em nada agregam ao mundo. Vai muito além disso.

E se você se viu como uma das personagens aqui citadas, é bom rever como tem encarado a vida, pois ela pode ser muito melhor se você incluir por inteiro nela as pessoas que verdadeiramente te amam e precisam de você.

A maturidade emocional pode te proporcionar maravilhas que nenhuma propaganda, balada ou bebedeira é capaz de te oferecer, principalmente a verdadeira liberdade!






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