abr 11 2018

Será que eu sou machista?

machista

Por escrever para homens a respeito das trapaças femininas nas relações, algumas pessoas podem se perguntar (e já perguntaram mesmo) qual é a minha relação com as mulheres no dia a dia.

Quando questiono o porquê, apenas para entender como estão raciocinando, muitas delas entregam a verdadeira intenção: querem saber se sou machista.

Machista não no sentido que usamos aqui, que diz respeito à honra, dignidade e frieza emocional a fim de não deixar-se perder na passionalidade e suas consequências, mas no sentido negativo que a sociedade vem adotando nos últimos tempos, de maldades e violência contra as mulheres.

Se você acompanha o RM há algum tempo e leu mais de 3 artigos, já entendeu qual nossa filosofia, que é baseada numa conduta reta, idônea, de respeito a todos, contrária à qualquer tipo de violência física ou emocional, mas extremamente firme quando observa que está sendo vítima de uma trapaça no relacionamento, geralmente devolvendo as consequências usando principalmente do afastamento e da não-reação.

Tendo isso em mente, podemos começar a responder aos questionamentos, geralmente feitos pelas próprias mulheres. Se você que está lendo é uma mulher e caiu de paraquedas aqui, eis uma boa oportunidade de ter essa dúvida esclarecida.

Afinal, como é o dia a dia do autor dos artigos do Reflexões Masculinas?

Vida Conjugal

Se não me falha a memória, já comentei sobre isso em algum lugar por aqui. Mas, respondendo a uma das questões que me fazem, sim, eu sou casado e convivo com a mesma mulher há mais de 20 anos.

E como é o meu casamento? Normal, como o de qualquer outro casal: temos momentos bons e ruins, alegres e tristes, de fartura e de aperto, de realizações e frustrações, e assim em diante.

Estando numa relação, você descobre que ela não será e nunca poderá ser linear, mas é uma montanha-russa com altos e baixos.

Mas eu sei que você quer saber de outra coisa: como é minha relação com minha esposa?

Apesar do tom sério com que escrevo na maioria das vezes, no cotidiano eu sou uma pessoa bastante divertida, que gosta de rir, de tirar sarro, de brincar, fazer surpresas e alegrar o ambiente onde está.

Eu sou assim dentro e fora de casa. Sou bastante compreensivo, sou muito bom ouvinte, procurado com frequência pelos parentes, amigos e a própria esposa como referência de bom-senso ao responder às suas dúvidas.

Não se trata de me gabar, não preciso disso pois, já me desvinculei de tal necessidade de afago ao ego há muito tempo, mas é o que geralmente eles dizem.

Então, no dia a dia com a minha esposa, eu sou brincalhão, extrovertido, acessível, atencioso, mas também firme.

E, ser firme, como vimos pregando nos artigos, não significa gritar, estufar o peito, subjugar, impor medo, fazer ameaças, nem nada do tipo.

Ser firme é você impor-se moralmente, não dando brechas para que sua conduta seja questionada. E isso só se consegue pela retidão do caráter e confiança que as pessoas adquirem em você, sabendo que, mesmo que estejam se contrariando, você o está fazendo dentro de seu bom-senso que eles, no fundo, respeitam e admiram.

Então, quando há alguma discussão em casa, ela nunca se dá aos gritos, principalmente da minha parte, e sempre que noto que estamos saindo do foco, chamo a atenção para que voltemos ao tema e evitemos entrar numa troca de ofensas que não leva a nada.

Deixo muito claro que estamos divergindo sobre um ponto de vista ou sobre uma conduta que nos desagradou, mas que isso não significa que odiamos um ao outro.

Sabendo que ajo assim, minha esposa confia muito em mim, e conforme o respeito e a admiração foram aumentando ao longo do tempo, ela foi submetendo-se consentidamente pela extrema confiança de que estou buscando o melhor para nossa relação.

Não tenho receio de ceder, pois sei que ela também cede, mas chegamos num nível em que confiamos que a outra parte não irá tentar trapacear por estarmos focados apenas em nossa felicidade.

Atualmente, nossas desavenças são muito raras, pois chegamos à conclusão de que estaríamos apenas perdendo nosso tempo ao invés de estarmos nos curtindo.

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”

Minha relação com as outras mulheres

Você deve achar que eu trabalho em alguma área em que predomina o gênero masculino, e que as conversas giram em torno das mulheres, onde rolam comentários sobre bundas e peitos, sobre como fulano conseguiu comer aquela garota gostosa que todos desejam, sobre futebol, churrasco e outros assuntos tipicamente masculinos que se ouve em butecos.

Porém, ao contrário do descrito acima, eu trabalho numa área onde predominam as mulheres, e 90% das pessoas com as quais interajo durante o dia, todos os dias, são mulheres. Uma fonte riquíssima de informações e aprendizados!

E minha relação com elas, como já disse, é exatamente como sou em casa: brincalhão, acessível, amigável, conselheiro, respeitoso, mas também muito firme sem precisar ser rude.

Acredito que confiem bastante em mim e em minha conduta, pois sempre sou procurado quando precisam de alguma opinião sensata para algum problema, o que faz sentir-me como a uma referência para elas e me concede algum grau de liderança.

Quando há divergências pessoais, a maneira de agir e me portar é exatamente a mesma que com a minha esposa.

Defeitos

“Mas, nossa, você é sempre tão perfeito assim? Quando crescer, quero ser como você!” – alguns podem estar pensando.

É claro que não. Não sou perfeito e não me coloco como tal. Eu sou ciente das minhas qualidades e aptidões, como também o sou dos meus defeitos, que são muitos e os quais tenho imensa vergonha em expor.

Alguns eu consegui eliminar ao longo do tempo, como ter necessidade da aprovação alheia, acreditar em amores cor-de-rosa ou melindrar por algo não ter saído como eu queria. Outros, venho trabalhando conforme os identifico.

E aqui quero ensinar-lhes uma coisa: uma ótima maneira de escancarar seus defeitos para poder identificá-los e assim melhorar-se é… casando!

O casamento e seus demônios interiores

Sim, meu jovem Padawan, o casamento vai te forçar a conviver diariamente com uma mulher, e você vai descobrir a quantidade de monstros que você tinha dentro de si e não sabia, e que ela parece ter as chaves das celas onde eles estavam escondidos até então.

Você será testado de todas as formas e em todos os pontos, e não vai gostar do que vai descobrir a respeito de si mesmo. As mulheres, no fundo, são grandes espelhos do nosso íntimo, escancarando todas as nossas fraquezas e defeitos que estavam seguramente guardados em algum recôndito escondido o qual nunca sequer cogitamos mexer.

E, afinal, será que sou machista?

Veja os vários temas tratados aqui no blog e observe que, apesar de destrincharmos as artimanhas femininas, sempre estamos deixando como mensagem o controle sobre os demônios interiores que habitam em nós, homens!

O autor do Reflexões Masculinas não tem, então, nada contra as mulheres, mas contra os monstros interiores que cada homem carrega dentro de si e que o levam à perdição emocional com possíveis consequências trágicas ao físico.

Nosso intuito é buscar mantê-los aprisionados como estavam, mesmo que estejamos sendo testados e passando por provas de fogo com nossas mulheres-espelhos.

Todas essas provações servem, na verdade, para nos ajudar em nossa trajetória rumo ao autodescobrimento e autoconhecimento, e a mulher é chave fundamental nesse processo à medida em que nos obriga a sairmos de nossa zona de conforto.

“O casamento não visa a felicidade, mas a santidade” – reflita sobre isso.

Um forte abraço!






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