maio 28 2019

Autopiedade e a Falta da Figura Paterna

Sentir pena de si mesmo é algo que sempre nos coloca no papel de vítimas de alguma coisa ou de alguém e pode ter relação com a falta da figura paterna.

Neste artigo, iremos analisar a falta que faz a figura paterna na formação de um garoto e suas consequências na vida adulta.

Autopiedade

Autopiedade, coitadismo, vitimismo, autocomiseração, são termos usados para a mesma coisa: a pessoa que sente pena de si mesma.

Pessoas assim são facilmente reconhecidas, pois vivem se queixando, dizendo para todo mundo “ninguém me ama, ninguém me quer”, não se sentem capazes de resolver seus problemas e tentam conseguir que outros os resolvam para si evocando a compaixão, a piedade, a pena.

Ora, pessoas que intencionalmente usam desses artifícios para conseguirem o que querem sem precisar se expor são, no mínimo, manipuladoras, e abusam da bondade alheia, melindrando quando não têm seus anseios satisfeitos, o que reforça ainda mais a sua condição de “pobrezinho de mim”.

E de onde vem essa desesperança em si mesmo, esse não sentir-se capaz, não ter coragem e iniciativa de tomar as rédeas das situações e da própria vida?

No meu entender, e podem haver outras razões, a falta da figura paterna no desenvolvimento do menino é uma das grandes responsáveis por isso.

Vamos à reflexão.

O pai presente

Quando me refiro a um pai presente, quero dizer daquele pai que realmente participa da vida de seu filho, orientando, delimitando, encorajando, ensinando e, principalmente, mostrando ao garoto que nem tudo na vida serão flores.

Por outro lado, aqueles homens que apenas fecundaram suas esposas e geraram filhos, mas que não têm tempo, ou têm, mas não usam-no junto ao filho, ou ainda, estão privados do contato por uma separação conjugal e não se esforçam para estarem presentes o máximo que puderem, podem ser chamados apenas de procriadores, porque de pais não possuem nada de fato.

Deixemos estes segundos de lado, pois, se não fazem diferença para seus filhos, não farão também aqui para nós! Vamos falar sobre os primeiros, os pais presentes.

A figura paterna

Por muito tempo, movimentos feministas tentaram reduzir a importância da figura do pai na educação e formação dos filhos. Assim que “inventado” o bebê de proveta, este movimento acreditou que, enfim, o homem poderia ser totalmente descartado. Finalmente a mulher poderia exercer a sua função primária sem precisar fisicamente de um homem!

Porém, após algumas décadas, a Psicologia observou, em crianças criadas sem a figura paterna, que haviam nestas enormes danos pela ausência da referência masculina em seus desenvolvimentos.

Buscando corrigir esse erro, hoje estimula-se que os homens exerçam de verdade a paternidade, atuando de perto com seus filhos e possibilitando que eles adquiram aquelas características que são inerentemente transferidas de pai para filho, de homem para homem.

E quais são elas?

Um pai levando uma criança para brincar no parque

Imagine um pai levando seu filho para andar de bicicleta num parque.

O pai possivelmente levará algo para ler enquanto o menino brinca e se diverte. Ele “solta” o moleque e apenas recomenda “Não vai para longe, fique onde eu possa te ver daqui”. O menino vai, então, brincar com sua bicicleta e também com outras crianças.

O pai, sentado e lendo, de vez em quando tira os olhos do jornal ou revista para ver onde está o garoto, avista-o, certifica-se de que está tudo bem e volta para a sua leitura. Se seu filho, cai, se machuca, ele encoraja-o a levantar-se e continuar, a tentar de novo. Ele não quer que o menino fique grudado nele, mas que aproveite o momento o máximo que puder.

Ao final do passeio, o moleque está feliz da vida, sujo igual um tatu, talvez com algum rasgo na roupa e alguns ralados pelo corpo, mas extasiado de felicidade!

Uma mãe levando o filho para brincar no parque

Agora chegou a vez da mãe. Primeiro, ela dá um banho no menino, arruma-o impecavelmente, penteia seu cabelo (geralmente lambido!) e vão para o parque.

Chegando lá, o garoto está com joelheira, cotoveleira e talvez até um capacete de ciclista! Para piorar, além de ficar em cima a toda hora perguntando ou obrigando-o a tomar água e alertando para ele tomar cuidado para não se machucar, sua mãe quer que ele ande de bicicleta com ela segurando e guiando para ele não cair! PQP!

Terminado o passeio, o menino volta para casa quase tão limpo quanto saiu e sem sentir um pingo de emoção de ter passado a tarde andando de bicicleta no parque. Aquilo foi algo monótono, sem graça, sem adrenalina. Ela insistiu tanto para ele ter cuidado que o garoto passou a sentir-se inseguro, tamanha a quantidade de perigos em volta!

Não quero dizer que mulheres não sabem criar filhos homens, mas sim que elas não podem dar aquilo o que falta até para si. Elas são impecáveis em passar suas características femininas, como o afeto, o cuidado, o zelo, a higiene, etc, mas coragem, força, resistência, honra, hombridade, entre outras, são estimulações geralmente feitas pelos pais.

Tanto a falta das características femininas quanto das masculinas gerarão problemas para as crianças no futuro, mas pensando no menino que mais para a frente se transformará num homem e que deverá agir como tal, é importante que ele receba as características masculinas através do pai.

Um dos maiores ensinamentos que um pai pode dar

As brincadeiras com o pai, portanto, geralmente são muito mais divertidas e emocionantes. Elas estimulam a liberdade, a coragem, a força, a sagacidade, o autoconhecimento, o autocontrole, o respeito às regras e, um ensinamento de ouro: ensinam que na vida também se perde e nem sempre se ganha.

Brincando com seu filho, instintivamente o pai em algum momento o sacaneará para deixar as coisas mais emocionantes. Ele irá trapacear em algum jogo, se aproveitará da sua superioridade física e intelectual para vencer o garoto e este ficará puto da vida! E quanto mais emputecido ficar, mais o pai zoará com a cara dele! E se o rapazinho chorar, é pior ainda! Não restará muita opção a não ser aceitar, trabalhando a sua frustração, e tentar aprender mais e melhorar-se para vencer o pai em algum momento.

Desde cedo, o menino aprende que a vida não será fácil, que ele terá que correr atrás se quiser ser vitorioso. Ele aprendeu a continuar, a persistir, a se resignar, a aprender com os próprios erros e a se aperfeiçoar. Ele caiu e se ralou e o pai mandou-o levantar e parar de reclamar. Falou para não dar importância às escoriações: “Não foi nada! Levanta e vai brincar!”.

A mãe certamente iria parar tudo, acabar com a brincadeira, e levaria o menino para dentro de casa para cuidar do raladinho, tratando-o como se fosse um pobre coitado que não merecia ter passado por isso. “Eu já falei para você não correr que é perigoso!” – é o seu aconselhamento.

Um garoto criado apenas com essa visão feminina do mundo tenderá a crescer inseguro, e pessoas inseguras acabam sentindo pena de si mesmas por se acharem mais vulneráveis que as outras.

Como dissemos, existem outros fatores mais, mas a falta de um pai presente pode causar enormes estragos no desenvolvimento de uma criança.

Finalizando

Se você é um vitimista, analise como foi a sua criação. Mas, independente de como ela tenha sido, isso não é motivo para você continuar se achando um pobre coitado. Você já tem idade e inteligência para se reprogramar e transformar-se no homem que deseja ser. A internet oferece um campo imenso de conhecimento para lhe ajudar com isso, portanto, não há desculpa para se manter no coitadismo.

A não ser, claro, que você queira continuar manipulando os outros através da pena, o que é uma tremenda sacanagem, e, óbvio, isso não é coisa de homem!


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1 comentário

    • Lucas Lima Ramos on 12/07/2019 at 7:40 pm
    • Responder

    Muito interessante. Parabéns.

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