out 13 2017

Como Você Se Autodefine?

como você se define

A maneira como nos autoafirmamos pode impactar positiva ou negativamente em nossas vidas.

Iremos mostrar a seguir como suas autoafirmações influenciam em sua identidade.

Você pode ser bom no futebol, bom no videogame ou bom nos estudos, mas iremos falar sobre as coisas nas quais você afirma não ser tão bom assim.

E não para por aí. Iremos esmiuçar o que está por trás de cada afirmação que você faz sobre si mesmo.

Vamos nessa?

Como você se define?

Quais são suas autodefinições? Como você se auto-descreve? Como você se auto-rotula?

Para responder a estas perguntas, você provavelmente terá que consultar sua história de vida.

Toda vez que você diz “eu sou”, estará se rotulando. Como você tem se descrito?

Você se diz desajeitado, preguiçoso, muito velho para certas coisas, muito novo para outras, esquecido, nervoso, etc?

Estas e outras autodefinições podem acabar sabotando sua própria vida, sabia?

Sempre que você se rotula negativamente, estará impedindo-se de crescer.

Frases como “eu sou assim”, “sempre fui assim”, “não posso evitar isso” e “essa é a minha natureza” são verdadeiras correntes que te aprisionam ao passado e te impedem de progredir.

Alguns exemplos

“Eu não posso ver sangue que passo mal.”
“Eu não sei cozinhar.”
“Eu sou muito tímido.”
“Eu sou gordo.”
“Eu sou ruim em matemática.”
“Eu sou vingativo.”
“Eu me apaixono fácil.”
“Eu sempre fiz assim.”

Por que estas e outras frases do tipo te impedem de crescer? Não parecem ser explicações razoáveis que sempre damos?

Aparentemente, sim, de tão corriqueiras que são. Mas, leia novamente cada frase acima e complete ao final com esta abaixo:

“E pretendo continuar assim.”

É aqui que mora o problema, pois quando usamos um “eu sou” como desculpa para algo, estamos sub-comunicando que não faremos qualquer esforço para mudar.

E, o pior, isso é aceito pela maioria das pessoas como natural, afinal, “não se pode contrariar a natureza de cada um”.

Como começam essas rotulações?

Os “eu sou” começam muito cedo, já na infância da pessoa.

“Fulano é irritado desde que nasceu.”
“O professor do Beltrano disse que ele tem muita dificuldade em geografia.”
“Meu tio sempre disse que eu puxei ao meu avô.”

Note que os primeiros rótulos começam por terceiros, e conforme vamos crescendo, vamos assimilando-os e nos moldando à maneira que nos definem.

Num segundo momento, nós mesmos passamos a repetir essas definições que nos deram, passando a nos autoafirmarmos, acrescentando outros adjetivos.

E essas autoafirmações vão aumentando e começam a vir muito a calhar, principalmente quando queremos evitar alguma coisa.

Por exemplo, “não vou flertar com aquela garota que está me olhando porque eu sou tímido”.

Um pensamento assim é usado para evitar uma possível rejeição.

“Até gostaria de estudar mais, mas na idade em que estou…” – poderia ser completado com “escolho permanecer assim”, mas a pessoa não assumirá essa última parte.

Mantendo-se na inércia

A pessoa que escolhe esconder-se atrás desses “eu sou” está afirmando que é um produto acabado e que nunca será diferente.

Ora, se ela é um produto acabado, então parou de crescer.

Mas, o que ela não sabe é o quanto essas autoafirmações podem ser, além de limitadoras, também devastadoras.

Veja abaixo alguns círculos viciosos de autoafirmações que têm por objetivo apenas uma coisa: fugir do trabalho difícil.

Situação 1: um rapaz que se diz tímido vai numa festa, comporta-se como um tímido e esse seu comportamento reforçará a autoimagem que faz de si mesmo.

 

Situação 2: o rapaz foi notado por uma garota, mas sua rotulação negativa faz com que ele perca uma grande chance de viver um momento romântico.

A solução para os exemplos acima é a pessoa intervir exatamente entre os pontos 3 e 4, arriscando tomar uma decisão para sair da armadilha da inércia.

Ela deveria lutar contra a sua imperfeição social, mas optou por apenas se justificar.

Se num primeiro momento essas desculpas livram a pessoa de fazer algo que não quer, num segundo acaba por impedir que ela vivencie experiências interessantes.

Os exemplos acima mostram como essas auto-rotulações podem ser danosas no campo da paquera.

Vejamos a seguir onde mais elas podem ser desastrosas.

10 categorias de autoafirmações danosas

1 – Na área acadêmica
Quando a pessoa afirma que “não é boa em matemática, programação, geografia, história, etc”, está garantindo que não se esforçará para fazer uma tarefa que considera maçante.

2 – Na questão de habilidades práticas
Afirmar “Eu sou péssimo para cozinhar, desenhar, escrever, etc”, assegurará que você nunca mais fará essas coisas no futuro.

“Essa é minha natureza” é uma ótima frase para te manter na inércia.

3 – Na área genética
Para não ter que mudar o jeito de ser, muitas pessoas afirmam “eu sou, nervoso, tímido, medroso, temperamental, etc”.

Como acreditam que isso já “está no sangue”, não precisam se preocupar em vencer suas más tendências.

4 – Na área motora
“Eu sou desastrado, desajeitado, sem coordenação”, são ótimas frases para evitar situações vexaminosas em que os outros são melhores que você.

Por vezes a pessoa até tem vontade de fazer aquela atividade, como uma dança, por exemplo, mas prefere ficar apenas assistindo os outros dançarem.

O problema está em sentir vontade de fazer aquilo mas fingir que não gosta simplesmente por desculpa.

5 – Na área fisiológica
Afirmações do tipo “eu sou feio, alto, baixo, ossudo, peludo, careca, gago, etc”, são excelentes mecanismos para manter a pessoa afastada de alguém do sexo oposto.

Sua falta de amor-próprio disfarçada com essa justificativa é uma desculpa pronta para não se expor.

6 – Na área do comportamento
Dizer que é “desorganizado, desleixado, meticuloso ou perfeccionista” é uma ótima desculpa para manipular os outros.

Como “eu sempre fiz dessa forma” – e não é agora que irei mudar – só resta aos outros aceitarem o seu modo de fazer as coisas.

Um bom exemplo são aqueles funcionários antigos que relutam em largar a máquina de escrever para utilizarem o computador.

7 – Na questão da memória
“Eu sou esquecido, irresponsável, descuidado, etc”, são afirmações úteis quando você precisa justificar sua ineficiência.

Ninguém poderá lhe cobrar compromissos e horários porque você simplesmente “esquece”. Brilhante, não?

8 – Autoafirmações étnicas
Aqui entram as autodefinições de estereótipos.

“Eu falo alto porque sou descendente de italiano.”
“Na minha família, é comum nós bebermos todas! Somos irlandeses, alemães, escoceses, etc”

Quem pode lutar contra os genes da raça, não é verdade?

9 – Autodisciplina
Sua falta de educação e atos hostis são largamente justificados com frases do tipo “eu sou mandão, autoritário, tenho pavio curto, etc”.

Como evitar, se a pessoa “sempre foi assim”, né?

10 – Na questão da idade
Afirmar-se como sendo de “muita idade, velho, cansado, etc” são ótimas maneiras de evitar atividades arriscadas e perigosas.

Também é excelente para evitar situações desagradáveis, como velórios, más notícias, etc.

Como libertar-se do passado e de autoafirmações negativas?

Até aqui, mostramos como as autodefinições podem ser perniciosas, mesmo que aparentemente nos “ajudem” livrando-nos de fazermos o que não queremos.

Mas, o contra está no fato de que elas podem nos engessar, impedindo nosso crescimento.

Como poderemos crescer através do aprendizado constante se não ousamos fazer diferente ou experenciar coisas novas?

Quem não quer aprender, crescer, se reinventar, está fadado a uma vida com poucas ou nenhuma experiência de crescimento.

Para evitar isso, vamos pensar em algumas estratégias para eliminar esses fantasmas do passado.

Livrando-se das autoafirmações negativas

Libertar-se do passado requer assumir riscos, sair da zona de conforto.

Você se acostumou com os rótulos que estão enraizados na sua personalidade.

Mas você sempre pode escolher modificá-los. A qualquer momento.

Sempre que se pegar pensando num “eu sou” para justificar algo, pare e reformule a frase:

“Até aqui eu costumava ser assim” ou “Até hoje eu escolhia me rotular assim”, e acrescente “Mas neste momento eu opto por ser/agir diferente de antes”.

Outra coisa que funciona, é avisar algumas pessoas mais próximas para te alertarem quando virem que você está se justificando com um “eu sou assim”.

Trace desafios pessoais nos quais você escolherá agir diferentemente de antes.

Se você dizia-se tímido, puxe papo com uma pessoa que normalmente você evitaria.

Se você evitava fazer contas, brinque com algumas fórmulas.

E assim em diante em todas as áreas que você quiser melhorar.

Lembra-se daquelas frases no início do post? Vamos reformulá-las para o presente.

De:
“Eu sou assim” para “Eu era assim”.
“Sempre fui assim” para “Vou ser diferente”.
“Não posso evitar isso” para “Posso mudar isso se me esforçar”.
“Essa é a minha natureza” para “Eu pensava que fosse a minha natureza”.

Concluindo

Todas as suas autoafirmações negativas são padrões de fuga aprendidos.

Se você escolher mudar, poderá aprender novos padrões positivos da mesma forma.

 

Por fim, você melhora naquilo que pratica, não naquilo que evita.

Só um fantasma se apega ao seu passado, explicando-se com autodefinições baseadas numa vida já vivida. Você é aquilo que escolhe ser hoje, não o que escolheu antes.

Wayne W. Dyer

Texto baseado no livro “Seus Pontos Fracos”, de Wayne W. Dyer.

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