nov 01 2017

Mecanismos de Autossabotagem: “E se…?” – Parte 1

Mecanismos de autossabotagem: "E se...?"

Arriscar, dar a cara a tapa, expor-se geralmente é um negócio de alto risco. E sabemos o quanto isso pode atrapalhar numa interação.

Hoje falaremos sobre um dos maiores mecanismos de autodefesa e autossabotagem: o “e se…?

Começaremos mostrando como esse mecanismo nos impede de agir, colocando-nos num looping infinito de dúvidas e incertezas. Vamos buscar nos recônditos psicológicos quais os motivos de frequentemente usarmos dessa ferramenta a fim de protelarmos nossas ações e evitarmos possíveis sofrimentos.

Será que é possível quebrar esse círculo vicioso e sair do looping infinito de indecisões? O que precisamos fazer?

Siga conosco e buscaremos juntos essas e outras respostas. 

Para que serve o “e se…?”

Como meio de autoproteção, nosso ego utiliza de vários mecanismos para evitar que passemos por alguns tipos de sofrimento, e o “e se…?” é um deles.

Apesar de serem mecanismos de proteção, eles escondem um risco, que é o de impedir que façamos algumas ações que consideramos “arriscadas”. No campo da sedução, o “e se…?” pode nos deixar totalmente imobilizados, pois entramos numa espécie de looping infinito, tantos são os pensamentos autossabotadores decorrentes desse mecanismo, como por exemplo:

“E se eu não mostrar confiança o suficiente?”
“E se eu não passar num teste?”
“E se eu esquecer algum passo do método?”
“E se ela não cair num laço?”
“E se eu travar e não souber o que falar?”
“E se eu ler mais materiais?”
“E se algum guru me ajudasse?”
“E se ela me rejeitar?”
“E se ela recusar um beijo?”
“E se eu for afobado demais?”
“E seu eu não agir na hora certa?”
“E se…?”, “E se…?”, “E se…?”

Note que todos esses questionamentos nos impedem de fazer o que precisamos, que é simplesmente parar de pensar em demasia e agir, mas isso é arriscado e pode nos ferir no caso de um insucesso ou de uma rejeição, e uma boa parte de nós quer evitar a todo custo qualquer sentimento negativo que possa deixar nosso ego ferido.

Eis então uma boa ferramenta de procrastinação, pois enquanto não resolvermos todos os “e se…?” – e sempre virão cada vez mais deles – teremos uma boa desculpa para adiar uma abordagem por tempo indeterminado.

Mas, o que está por trás desse comportamento?

Traços da personalidade

Síndrome do pobrezinho de mim”, onde a pessoa tem pena de si mesma e sempre se coloca como vítima de tudo e de todos.

Insegurança, pois valoriza mais as opiniões dos outros a seu respeito do que a sua própria. Falta fé no taco.

Ego hipersensível, melindroso, que magoa-se com qualquer coisa, por menor que seja.

Falta de amor próprio, afinal, quem reconhece seu potencial não se melindra, bota fé no taco e não se coloca como vítima.

Mas, como então faremos para sair desse looping infinito do “e se…?”. Resposta: trabalhando exatamente nos pontos fracos de nossa personalidade, observando-se a si próprio. Veremos isso nos tópicos seguintes.

Vitimismo

Quando notar que está se vitimizando, pense no princípio 90/10 de Stephen Covey: 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você.

Por exemplo, você não tem controle se seu carro enguiçar, se o semáforo fechar quando você está com pressa ou se fizer um frio tenebroso, mas poderá escolher como reagir a cada uma dessas situações. Você pode se posicionar como uma vítima ou tirar essas situações de letra.

Se você derrubar café em sua camisa, poderá escolher entre rasgar sua roupa, atirando a xícara para longe e amaldiçoando tudo e todos, ou pode simplesmente trocar de camisa e tocar sua rotina normalmente sem dar maior importância a esse acontecimento.

Da mesma maneira, ao levar um fora de uma garota, você pode sentar na sarjeta e chorar as mágoas com uma garrafa de bebida na mão, ou pode simplesmente focar em outra menina ou mudar suas estratégias de conquista, aprendendo com seus erros e procurando corrigi-los. A escolha de como se sairá ao final de tudo é sempre sua.

Não vamos discorrer muito sobre o princípio 90/10 pois é muito fácil encontrar uma explicação mais profunda na internet. Fica a pesquisa como lição de casa então.

Insegurança

Somente Deus conhece você melhor do que você mesmo. Nem sua mãe te conhece tanto quanto você e Ele. Então, por que dar mais valor às opiniões dos outros do que às suas a respeito de sua pessoa?

Para começar, você é único. Mesmo que tenha irmão gêmeo, suas personalidades, comportamentos e pensamentos diferem em algumas coisas, afinal, ainda que os corpos físicos sejam semelhantes, a alma que os habita são distintas. Então você é único no mundo, e isso é ótimo.

Sendo único, só você carrega as características físicas e psicológicas exclusivas suas, e sendo assim, não há porque se comparar com mais ninguém. “Ah, mas Fulano é mais inteligente”, e pode ser verdade. Mas também é verdade que existem muitos outros menos inteligentes do que você, e mais verdadeiro ainda, é encontrarmos pessoas mais ou menos isso ou aquilo do que nós. Sempre haverá alguém em posição superior ou inferior à nossa.

Você é quem escolhe por qual régua quer se medir, se pelas dos outros ou pela sua. Por exemplo, se alguém lhe disser que Fulano é mais inteligente, você pode usar outra régua para fazer a comparação, tipo “De fato, ele é muito inteligente, mas não tem muita educação com as pessoas”.

Obviamente, você deverá ser um cara bem educado para poder ser congruente com isso, mas nunca diga “Ah, mas eu sou mais educado”, pois evidencia que você está tentando mudar o foco e querendo chamar a atenção.

Da mesma forma, se lhe disserem “Ciclano tem muita grana” e você for um cara que anda liso ou que não dá de fato muita importância ao dinheiro, responda “Realmente, mas depende do estilo de vida que ele quer levar. Algumas pessoas preferem não serem escravas das coisas e vivem uma vida minimalista. Imagine você ter de frequentar festas e lugares com gente que você não gosta só para fazer um social. Deve ser horrível! Não deixa de ser um escravo, mesmo tendo dinheiro!”. Mas obvio, você tem de ser um cara que vive o que fala senão não haverá congruência entre seu discurso e sua realidade.

Se você é um cara que não liga para bens materiais, pode muito bem se assumir como tal e rejeitar toda vez que quiserem te mensurar pela régua do dinheiro. “Ah, mas aí eu posso perder aquela garota…”. Ótimo! Pelo menos você terá certeza que quem se interessar por você o fará porque gosta e se afina com seu estilo, e não porque tem outro interesse alheio à sua pessoa. E, acredite, existem pessoas (e entre elas, mulheres) que pensam também como você, seja de que estilo você for.

Observe que você não está se colocando em posição inferior, muito menos praguejando a situação dos outros ou tendo de se sentir humilhado, mas está dizendo que você enxerga a vida por ângulos diferentes, que sua régua é diferente da maioria, e que você se sente confortável quanto a isso, simples assim.

“Ah, mas e se disserem que sou um fracassado, que sou acomodado, que sou isso ou aquilo?”. Bom, se você leu até aqui e entendeu o que quisemos passar, já deveria saber que não precisa procurar pela aprovação dos outros, e que cada um pode ter a opinião que quiser sobre você, e jamais tenha a ilusão de querer controlar a opinião alheia, pois passará o resto da vida tentando provar coisas para os outros, dando murro em ponta de faca.

Mas, se achar que deve provar o seu valor, não acha que estará se medindo pela régua alheia, sendo julgado por pessoas que não te conhecem como você se conhece? E se ainda assim você não estiver convencido, utilize o princípio 90/10, onde os 10% são o que a pessoas dizem e pensam sobre você e os 90% são como você escolhe se sentir (e reagir) com relação a elas. Bingo!

Melindre

Já se perguntou por quê você se ofende com certa facilidade? E sabe explicar por qual razão é tão suscetível a tudo o que o cerca? E consegue responder por que motivo você se encoleriza quando algo não sai como você quer ou quando alguém te contraria? “Ah, mas você quer dizer que agora eu vou ter de engolir desaforos? Tá maluco?”

Não, não estou maluco, mas quero que você responda: qual a diferença entre ofensa e melindre? Pense um pouco… Pensou?

Então vamos lá: ofensa é quando alguém te xinga, te humilha e coloca em xeque sua honra. Você tem grandes motivos para sentir-se ofendido (apesar de poder escolher como reagirá a eles!).

Melindre é quando qualquer coisa mínima te tira do sério, como reagir exageradamente ao ouvir um “não” de alguém, chorar convulsivamente ao levar um fora de uma garota, ou ainda ofendê-la pelo mesmo motivo, ficar magoado e birrento com alguém que lhe mostrou que nem tudo é como você quer, e assim em diante.

O melindre desencadeia sentimentos pessimistas, de infelicidade, animosidade, rancor, tristeza e desapontamento.

Pode ter origem numa educação mal orientada na infância, quando os pais evitam ao máximo que seus filhos sofram algum revés e experimentem alguma amargura, como se situações negativas não devessem ocorrer, como se fossem indevidas, inoportunas, ou que os interesses da criança devessem ser atendidos a qualquer preço.

Chegando à adolescência, essa criança reagirá escandalosamente se um dos pais negarem permissão para ela sair com os amigos, ou estiverem temporariamente impossibilitados de comprarem um videogame novo.

Na fase adulta, uma promoção não recebida no trabalho pode gerar revolta, inconformismo, mania de perseguição.

Num flerte, a pessoa não saberá lidar com rejeições. Num casamento, não terá jogo de cintura para buscar o equilíbrio após algum contratempo.

Chegará à velhice como uma pessoa resmungona, mal agradecida e que nenhum parente desejará ter por perto, mas ainda assim a pessoa se sente detentora de todos os direitos, e morrerá esperando que seus anseios sejam todos preenchidos pelos outros.

Essa criança mimada, independente de estar com 6, 15, 34, 60 anos ou mais, dificilmente larga esse hábito por uma simples razão: porque funciona.

Na grande maioria dos casos, é uma ótima ferramenta de manipulação, do tipo “Se você não atender ao meu desejo, eu farei birra até você ficar de saco cheio e me atender”, e assim ela toca todas as suas interações ao longo da vida.

Se não der a boneca, a criança chora. Se não comprar o videogame caro, o garoto não come na mesa. Se a namorada termina o namoro, o rapaz persegue-a e inferniza sua vida. Após o divórcio, a mulher vive arrumando problemas com o ex-marido ao invés de deixá-lo tocar sua vida para frente (e para longe!). O idoso recusa-se a tomar o remédio para diabetes porque alguém que o ama impediu-o de comer um doce pensando em sua saúde, e assim em diante.

Ao final, tudo é melindre, tudo é manipulação, é a criança mimada fazendo birra. E se você, enquanto lia, enxergou-se fazendo qualquer trapaça emocional semelhante, deveria sentir vergonha por saber o quanto isso é ridículo e desonesto com os outros!

Ah, e se você não gostou do que leu agora, isto foi um melindre seu e não uma ofensa à sua pessoa, capiche?

Breve pausa

Bom, como o post está muito longo, iremos desmembrá-lo. Na sequência, falaremos sobre o amor-próprio, a diferença entre ser bom e ser bobo e, por fim, responderemos às perguntas que fizemos no início deste tópico.

Para ler a segunda e última parte, clique aqui.

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