nov 03 2017

Mecanismos de Autossabotagem: “E se…?” – Parte 2

Mecanismos de Autossabotagem: "E se...?" - Parte 2

Na primeira parte desta série de 2 tópicos, mostramos como o excesso de “E se…?” nos mantém paralisados e impedidos de agir enquanto não respondermos a todos eles, e acabamos ficando num looping infinito, a não ser que passemos a estudar esse mecanismo de autodefesa e autossabotagem, entendendo como ele funciona, suas causas emocionais e psicológicas, e resolvermos mudar nossa maneira de agir, quebrando esse círculo vicioso. 

Se você não viu a primeira parte, clique aqui antes para ler.

Em seguida, passamos a analisar as possíveis causas desse mecanismo, abordando temas como vitimismo, falta de amor-próprio, insegurança e, por fim, o melindre.

Em cada um deles, deixamos propostas de mudanças de paradigmas, do modo como vemos as coisas e entendemos nosso mundo particular.

Continuando neste segundo e último post, falaremos sobre o amor-próprio, egoísmo, como ser bom sem ser bobo e, ao final, responderemos às perguntas feitas no início desta série segundo uma nova ótica.

Vamos em frente.

Amor-próprio

Ao terminar de ler o post anterior, especialmente no subitem sobre melindre, você pode estar pensando:

“Nossa, agora você me pegou! Mas, se eu sou esse crápula que você está dizendo, como posso gostar de mim mesmo se ninguém gosta? Exigir ser bem tratado por acaso não é ter amor próprio?”

Exigir… eis uma palavra perigosa! E não, não te chamei de crápula, mas apontei pontos negativos que podem ser melhorados. Se você usou o termo “crápula” ou outro pejorativo qualquer, está melindrando e colocando-se como vítima, o que significa que acertamos em cheio o seu ego e que você precisa urgentemente se autoanalisar! “Observar o observador”, diria o budismo.

Hoje em dia, é bastante comum confundir-se amor próprio com egoísmo (ego = eu + ismo = sistema). No “sistema do eu”, a pessoa coloca-se como o centro do universo, onde tudo e todos existem apenas para satisfazer-lhes os caprichos, não importando pensamentos, sentimentos, anseios ou o que quer que seja que a outra parte sinta. Isso não passa nem perto de ser amor, não acha?

Amor é desprendimento, é entrega, ele “não sente inveja ou se envaidece” como escreveu Renato Russo. O amor não exige recíproca, senão não seria amor, mas interesse. Fica evidente a distância entre ele e o “sistema do eu”, e poderíamos ficar listando linhas e linhas de diferenças entre eles, mas acreditamos que você já as tenha entendido.

Mas, afinal, o que é amor próprio então?

Amor próprio é quando a pessoa zela por si mesma, procurando ter controle emocional, procurando estar de bem com a vida e com as outras pessoas, estando disposta a perdoar e esquecer a opinião alheia (poupando-se de pensamentos negativos), tendo coragem, confiança e segurança para recomeçar, e agindo positivamente a ponto desse amor interno transbordar e beneficiar os que estão à sua volta.

A pessoa que se ama, evita pensamentos e sentimentos autodestrutivos. Pratica o perdão e o autoperdão. Não remoe mágoas, esquece fácil as ofensas e está sempre com um sorriso brilhante no rosto. Parece até que irradia uma espécie de luz!

É prazeroso estar ao lado dela porque sabemos que não exigirá nada de nós, não tentará obter qualquer vantagem, pelo contrário, ganhamos muito se ficarmos em sua companhia.

amor próprio

Ela possui como que um magnetismo diferente, estando sempre rodeada de gente. Seu sorriso é espontâneo, aberto e sincero. Suas palavras são cheias de otimismo, e por vezes acredita mais em nossas potencialidades do que nós mesmos.

Ela nada teme porque confia nos processos da vida. Quando sofre algum revés, age com resignação e está sempre disposta a aprender com suas falhas e a recomeçar.

Nos relacionamentos, ela sabe que sempre dará o melhor de si, e se ainda assim não for correspondida, sabe que o amor é dar-se e não receber, e ela doou-se intensamente!

Se sofre um rompimento, agradece a oportunidade da troca e segue seu caminho em frente, sabendo que outras experiências maravilhosas estarão por vir.

Sabe que está sujeita a todos os sucessos e fracassos da vida, e que tirará o máximo proveito de todo esse aprendizado para o seu crescimento pessoal.

Confia, enfim, na Vida, e sabe que tudo está perfeitamente em seu devido lugar, e essa segurança possibilita que ela se aceite como é e aceite as pessoas como elas são, mesmo que sejam o seu oposto.

E, por esses e outros conjuntos de pensamentos e sentimentos benevolentes, altruístas, ela acaba dando de si o que possui em abundância: Amor!

Diferença Entre Ser Bom e Ser Bobo

Falando ainda do amor próprio, muitos confundem ou não sabem os limites da benevolência, e pode parecer até contrastante com o que acabamos de escrever acima, mas toda a sua bondade para com os outros deve ter um certo limite, a fim de que não abusem de você e te vejam como bobo e não como bom.

Mas qual esse limite?

Não é muito simples sabermos onde colocar limites e eles terão de ser repensados o tempo todo, mas basicamente você deverá colocar uma barreira sempre que sentir-se manipulado ou diminuído por ser benevolente.

Por exemplo, quando algum parente ou amigo lhe pede para que formate seu computador e sequer pergunta quanto foi o serviço, estará abusando de sua bondade. Porém, se estes parentes e amigos sempre quebram algum galho seu também, menos mal, pois estarão quites, mas se são do tipo que só aparecem para pedir favores, é hora de impor regras e limites e cobrar pelo serviço.

bobo

Numa paquera, se uma garota pede que você lhe pague um lanche ou uma bebida sem antes ter rolado alguma coisa entre vocês, ela estará abusando de sua expectativa por conquistá-la, e se você cair nessa, além de estar sendo usado, será visto como um cara fraco que precisa de artifícios para conquistar alguém, já que provavelmente “ele me vê como muita areia para o caminhãozinho dele” e se sujeitará a qualquer papel na esperança de receber alguma migalha de atenção e carinho e, quem sabe, de sexo.

Obviamente, vai soar como grosseria você simplesmente dizer “não” a um pedido, mas você pode sair pela tangente de um jeito bem humorado dizendo “Pago sim, claro, mas só depois que você me pagar um sorvete” ou “Calma, garota, a gente se conheceu faz 15 minutos e nem nos beijamos ainda”, ou ainda “Nossa, você trouxe a anaconda junto?”, referindo-se a uma possível lombriga gigante que ela tenha.

Tiradas engraçadas como a da lombriga funcionam melhor que as duas primeiras, mas você pode pegar a ideia e criar suas próprias escapadas.

O importante é você mostrar que consegue equilibrar seu lado bom com o respeito que tem por si mesmo, ou seja, a pessoa pode até conseguir o que ela quer, mas somente se ela souber esperar e respeitar o seu tempo, suas regras e seus limites.

Faça isso e será visto como um cara de grande valor, pois estará mostrando que ama a si mesmo em primeiro lugar, mas que, sendo devidamente respeitado, estenderá esse amor a quem fizer por merecê-lo.

Concluindo…

A essa altura de nossa leitura, você deve ter entendido o que é ser bom e como não ser bobo, compreendido a importância de deixar a manipulação através do melindre de lado, aprendido a importância de ter suas próprias réguas de medição e amado o fato de ser uma pessoa única no mundo, além de deixar de se colocar como vítima das pessoas e das circunstâncias.

Esperamos que com estas pequenas mas profundas dicas você se sinta mais seguro ao interagir com as pessoas, com a gata que você quer conquistar, ousando ser verdadeiro, sendo você mesmo, agindo sem se preocupar com o resultado, simplesmente porque a interação em si já significa uma experiência, positiva ou negativa, vai depender de como você quer reagir a ela no final.

Respondendo às questões iniciais

Com esta visão, tentaremos responder aos “e se…?” que listamos no começo:

“E se eu não mostrar confiança o suficiente?”
Tudo bem, é natural sentir nervosismo nessas horas. Acha que ela não está sentindo também? Mas, assim como ela pode disfarçar ou dar uma controlada, você também pode.

Abra a boca e comece a conversar que a ansiedade vai passando. Curta o momento e seja verdadeiro, sem querer esconder nada. Seja natural e tudo fluirá.

As pequenas escorregadas que você der serão compreendidas se ela também estiver a fim. Siga em frente!

“E se eu não passar num shit test?” (é uma espécie de teste estúpido que elas fazem para te avaliar. Tratamos deles neste outro post.)
Se uma garota lança um shit test, é um bom sinal, pois ela precisa certificar-se de que você será um bom parceiro. Se ela não estivesse interessada, não lhe testaria.

Aja com sinceridade e respeite a si mesmo acima de tudo, afinal é isso o que ela está querendo descobrir em você.

“E se eu esquecer algum passo do método?”
Se você está se sentindo seguro, sem afobação e se divertindo, foda-se o método! Você perceberá os sinais e os momentos de avançar para a próxima etapa. Só não fique paralisado pensando em demasia.

“E se ela não cair num laço?”
Você tenta outro, mas seria bem mais gostoso e natural se você focasse em se divertir junto com ela ao invés de se prender a pequenas bobagens, não acha?

“E se eu travar e não souber o que falar?”
Sorria e diga que se sente um pouco encabulado. Algumas mulheres acham “fofo” homens tímidos, desde que essa timidez não o emperre quando tiver de agir.

“E se eu ler mais materiais?”
Ótimo, mas nenhum deles é mais importante que a experiência adquirida na prática.

“E se algum guru me ajudasse?”
Ótimo também, mas ele não pode xavecar uma mulher em seu lugar e jogá-la no seu colo. Vá praticar o que ele te disser para fazer.

“E se ela me rejeitar?”
Não sabe a pessoa única que está perdendo! Além do mais, ela não te conhece o suficiente e tomou uma decisão equivocada. Quem saiu perdendo?

“E se ela recusar um beijo?”
Pode ser um sinal de que você está forçando a barra. Divirta-se mais um pouco e deixe as coisas mais sexuais até que sinta que o clima está mais favorável.

“E se eu for afobado demais?”
Recue e recomece, mantenha-se relaxado e divertindo-se (de verdade).

“E seu eu não agir na hora certa?”
Pode ter perdido uma boa chance por ficar paralisado pensando demais. Aprenda com esse erro e faça diferente na próxima vez, afinal, o mundo não acabou.

2 comentários

  1. Esse foi um dos melhores post até agora! Já li duas vezes e vou reler novamente. Parabéns, ótimas dicas!

  2. Mais uma vez nosso “muito obrigado”, Romeu!

    Seus feedbacks são muito importantes para sabermos se estamos no caminho certo do que propusemos com a criação do site.

    Forte abraço!

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